O homem pós-orgânico O homem pós-orgânico

O homem pós-orgânico

A alquimia dos corpos e das almas à luz das tecnologias digitais

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    • R$ 39,90
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Descrição da editora

"No mundo mecanizado da era industrial, no qual a matéria inerte respondia a uma série de leis rigorosas, exatas e universais, o vivo constituía uma aberração tão inquietante como inexplicável. Já o corpo morto, desprovido da gloriosa chama vital, tornava-se cognoscível: suas engrenagens eram perfeitamente explicáveis. Assim, a tecnociência moderna procuraria elucidar o escândalo da vida como uma exceção à regra. Ou, então, tentaria inseri-lo na explicação mecânica universal, negando boa parte de suas potências ao reduzi-las ao mero funcionamento dos aparelhos que compõem cada organismo. Desse modo, o saber científico redefiniu o corpo humano: arrancando-o dos homens vivos para fazer do cadáver seu modelo e seu objeto privilegiado." 

Paula Sibilia 

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Construir um homem pós-orgânico "projeto faústico" parece ser a vontade da nossa época. Fazer confluir técnica e vida com o álibi de fortificar o corpo e minguar seus desassossegos, mas sem lhe poupar dívidas nem acoplamentos aos fluxos acelerados e contínuos que são ativados pelos "biopoderes" atuais. Estamos no umbral de uma metamorfose que Paula Sibilia examina e interroga com interesse, serenidade e espírito alerta: a passagem de um mundo em que a máquina era princípio de ordem, potência e regularidade, para outro em que os seres humanos são compelidos a se sintonizar com o mecanismo de curvas e contracurvas do capitalismo global. Obsolescência ou atualização: tal é a disjuntiva, ou a cruz, imposta pelas forças titânicas que estão dando forma à vida. Sobrelevamos, então, uma transfiguração, cujas consequências se anunciam imensas e ainda desconhecidas, tão certas como iniludíveis. As ideias recebidas acerca da ética, da ciência, da tecnologia e da política se veem forçadas a ruir ou a se amoldar. O corpo, essa incômoda persistência abarrotada de mal-estares e sonhos de lonjura, agora mergulhado num campo de manobras que também o é de excitações e programação torna-se objeto experimental, e ninguém sabe ainda para quê. Sem rejeições apressadas nem entusiasmos incautos, mas com ânimo de elucidar e desentranhar, Paula Sibilia mostra a vida moldada como informação, uma nova metafísica que encobre os alicerces históricos e políticos da atual reorientação das coisas, e isso em nome de um anseio muito humano: a fuga da dor rumo a um corpo poderoso, elétrico, quase imunizado, um elixir para a autoestima. Trata-se de uma adequação propagada como automodelação, mas cujas inflexões ficam submetidas aos dúcteis comutadores da sociedade do controle. A autora deste livro empreendeu uma dupla tarefa, árdua e importante: fazer uma autopsia da época emergente e desnudar os mecanismos de saber e de poder que a tornam possível. Visto que o tempo concedido a um corpo é irreversível, ela nos lembra que perguntar é uma arma política, que há fendas em toda armadura e que a vida tem menos de teorema já resolvido que de possibilidade ainda não tentada. 

Christian Ferrer 

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Pesquisadora e ensaísta argentina residente no Rio de Janeiro, Paula Sibilia estuda diversos temas culturais contemporâneos sob a perspectiva genealógica, contemplando as relações entre corpos, subjetividades, tecnologias e manifestações midiáticas ou artísticas. Publicou também os ensaios "Redes ou paredes: a escola em tempos de dispersão" (Contraponto, 2012, em primeira reimpressão) e "O show do eu: a intimidade como espetáculo" (Nova Fronteira, 2008, com previsão de relançamento pela Contraponto em 2015).

GÊNERO
Não ficção
LANÇADO
2020
30 de setembro
IDIOMA
PT
Português
PÁGINAS
296
EDITORA
Contraponto Editora
VENDEDOR
Digitaliza - Digitalizacao e Distribuicao de Conteudo Digital Ltda.
TAMANHO
6,1
MB
O SHOW DO EU O SHOW DO EU
2020
Redes ou paredes Redes ou paredes
2021
Eu mereço! Eu mereço!
2026
Yo me lo merezco Yo me lo merezco
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