Meus queridos estranhos
-
-
4,0 • 1 avaliação
-
-
- R$ 29,90
-
- R$ 29,90
Descrição da editora
Com uma prosa sensível e madura, Livia Garcia-Roza cria um retrato das inquietudes e das possibilidades que encontramos quando a vida nos tira do caminho planejado.
Depois de uma inesperada separação, a protagonista de Meus queridos estranhos é deixada com mais perguntas do que respostas. Quais seriam os motivos de Manoel para deixá-la após tantos anos? Como será a vida dali para frente?
Além de ter de lidar com o fim do casamento, a personagem trava embates constantes com a filha adolescente e se vê insegura diante de um possível novo amor, especialmente depois da morte inesperada do ex-marido. Como resolver esses conflitos?
A partir do olhar e dos sentimentos de uma mulher que não tem nome — mas que sintetiza dilemas tão comuns a todos nós —, a ficcionista Livia Garcia-Roza retrata com maestria os medos e as angústias que nos afligem, e também as possibilidades de renovação que a vida pode oferecer.
Avaliações de clientes
Muito bom!
“Meus queridos estranhos” é uma obra em prosa poética que retrata a vida de uma mulher às voltas com a filha, Mariana, a lembrança do ex-marido, Manoel, e a convivência com o atual, Xavier. Narrado em primeira pessoa, a personagem detalha os conflitos inerentes à criação de uma adolescente, os desdobramentos de uma separação/viuvez e a nova dinâmica oriunda de um segundo casamento. Nesse ponto, observa-se a entrada de estranhos, como a filha, o neto e a gata de Xavier, respectivamente, Gisela, Calvin e Soraia. Por meio de uma escrita fluida, Livia Garcia-Roza conduz o leitor a um universo prosaico, no qual as quebras de expectativa se dão através dos sonhos descritos pela narradora. Marcados por um afrouxamento do pensar, tais descrições oníricas pintam telas surrealistas nas páginas, jogando com o humor, com o insólito e com a poesia, daí a mistura entre esta e a prosa. As confissões da narradora-personagem perpassam o sono, o uso de pílulas ansiolíticas, por algumas vezes, bebidas alcoólicas, e o próprio grifo dela com relação a si mesma, por meio de autodescricões que a colocam como alguém “destrambelhada”, “sobressaltada”, um ser à parte. Essa marginalidade é central no livro cujas páginas são capazes de acessar o inconsciente da personagem, por meio de sua fala, trazendo associações livres, como se Roza, psicanalista de base, descrevesse relatos de uma paciente a partir de um “eu” ou fosse mesmo esse próprio “ego”. As cenas finais, trazem à baila a entrada de novos estranhos no círculo da narradora, os pais do marido da filha, e própria partida desta para São Paulo. O livro é pontual ao caracterizar o estranhamento com os novos e distantes desconhecidos e com os velhos e próximos, tais como Mariana, Xavier e o cachorro Tchimo, que partilham da vida da protagonista, mas, por vezes, parecem ser estranhos, queridos, com os quais ela divide o teto. Frases: “Não existe história sem mulher”; “Terrível ser mãe, não dá para desistir”; “Você não consegue passar muito tempo sem falar! [...] Palavrosa!”; “... a roupa se curvava a ela”; “Acho que eu seria feliz em outra língua”; “Quando eu piorava, a fala sofria”; “[...]você já reparou que quando as pessoas envelhecem vão ocupando menos lugar no espaço?! Outro dia fui ver mamãe e me chamou a atenção o cantinho que ela fez para ela”.