O Leviatã
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Descrição da editora
Nissen Piczenik, um judeu do distante vilarejo de Progrody, vive como vendedor de colares e adornos feitos de corais. Homem honesto e comprometido com seu ofício — criar e comercializar suas belas "joias vivas" —, Piczenik nunca ousou sair de sua vizinhança. Porém, seduzido pelo antigo desejo de conhecer o mar, ele mergulha em uma aventura ao desafiar sua rotina e deixar para trás tudo aquilo que cultivou até então: sua freguesia e seu impecável artesanato. A breve ausência coincide com a chegada de um novo comerciante, um húngaro que milagrosamente vende corais mais belos e baratos. Assim, toda uma vida de comedimento se transforma em tragédia: ao deixar o lar para saciar o desejo pelo desconhecido e abandonar uma rotina sufocante, Piczenik é tomado pela inebriante vida de Odessa, uma grande cidade portuária com incontáveis navios; ao retornar, o analfabeto vendedor de colares de corais rende-se à chegada ao novo representado por seu concorrente poliglota de Budapeste.
Até a fatídica viagem, o personagem judeu Nissen Piczenik é o avesso do autor judeu Joseph Roth. A vida repetitiva, simples e completamente íntegra do Piczenik das primeiras páginas do texto é o inverso exato da de Roth, um típico outsider: judeu, exilado, altamente individualista, profundamente cosmopolita, que adorava a controvérsia e que viveu em hotéis durante boa parte de sua vida. Piczenik, em sua busca pelo desconhecido e sua paixão pelo mar, supera a sensação de não pertencimento àquela rotina de artesão e vendedor de joias feitas de corais para aproximar-se de seu criador. Sua busca é a mesma de Roth, ele procura o novo, o diverso e o desconhecido.
Assim como muitas das obras de Joseph Roth, O Leviatã combina culturas diversas. A história se passa em um vilarejo fictício da Europa Oriental, onde comerciantes judeus — com suas sinagogas, vestes de reza, jejuns e festas — convivem com camponesas e camponeses russos.