Húmus
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Beschreibung des Verlags
A obra-prima de Raul Brandão, é o primeiro romance existencialista português que inclui traços do expressionismo literário. Trata-se de um romance-monólogo, centrado em dois monólogos interiores: o primeiro orador, sem nome, e o seu alter-ego – um filósofo lunático chamado “Gabiru”. Ambos registam a vida que decorre numa pequena vila, ao longo de um ano, exprimindo o que veem e o que sentem, em perspetivas diferentes, expondo assim a contradição entre o mundo aparente e o autêntico.
Publicado pela primeira vez em 1917 e escrito durante a primeira Grande Guerra (1914-1918), “Húmus” é a primeira obra portuguesa de carácter existencialista – um movimento tornado popular durante o século XX em plena convulsão das guerras mundiais, como maneira de reafirmar a importância da liberdade e individualidade humana, em abordagens sobre a angústia existencial, a existência de Deus, a vida e a consciência.
O título da obra, “Húmus” – o composto de detritos vegetais e animais, a parte fértil do solo, onde todos apodrecem “juntos na mesma terra misturada e revolvida”, como o próprio autor o refere – é o ponto de partida para uma análise temática sobre a morte e a regeneração da vida, numa perpétua continuidade. Temas muito próprios do existencialismo que se debruça sobre o sentido da existência da humanidade, ao mesmo tempo que a define.
Quando saiu, a obra foi veementemente rejeitada tanto pelo público como pelos críticos literários da altura. Foi definida por muitos como sendo desnecessariamente complexa, sem uma estrutura narrativa concreta e impossível de catalogar. Realmente, o “Húmus”, não tendo os pressupostos necessários para ser um verdadeiro romance, também não é um ensaio nem é um diário embora esteja escrito nesse formato. Houve alguém que a definisse com “um poema contínuo” por ser quase um texto lírico, com questões filosóficas, mas escrito em prosa.