Vale do Cisne
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Descripción editorial
VALE DO CISNE - HISTÓRIA DE TERROR EM PORTUGUÊS - BREDEVOORT VAN DEN BERG
Nas profundezas mais recônditas das florestas sombrias da Nova Holanda, jaz um segredo esquecido que permaneceu sepultado durante séculos sob um pesado manto de silêncio e terra compactada. Este romance de terror sobrenatural e suspense sufocante tem início no preciso momento em que uma florescente colónia neerlandesa, erguida nos confins mais longínquos do mundo conhecido, se esfuma sem deixar rasto ou testemunha que lhe sobreviva, oferecendo ao olhar incrédulo de quem a encontra unicamente uma paisagem de ruínas calcinadas e um único vestígio perturbador: uma moeda antiga de presságio fúnebre e agourento. Estamos perante uma narrativa de horror gótico histórico que mergulha o leitor numa viagem inesquecível e envolvente, onde a paisagem bravia e indómita começa a ganhar vida própria, sussurrando segredos inconfessáveis numa língua tão ancestral quanto aterradora.
À medida que o destino incerto dos sobreviventes se entrelaça de forma inexorável com um mistério primevo que desafia toda a lógica e compreensão humana, os protagonistas desenterram uma memória enraizada nas entranhas da própria terra, uma presença muito mais profunda e primigénia do que qualquer reivindicação territorial ou soberania de reis e impérios. Este relato, meticulosamente documentado no seu contexto histórico e visceral na sua execução literária.
«No primeiro sol de março, o metal cantou. Não era o brilho vivo do ouro nem o reluzir de um caldeirão. Era o brilho morto e cinzento do chumbo e do estanho, misturados para formar uma imagem tão grande quanto os ombros de um gigante, sobre um poste mais alto que o milho mais maduro. Nele, em relevo, estava o brasão da Companhia das Índias Ocidentais: dois navios esplêndidos, rodeados por letras enroladas e uma coroa. Um navio mercante e um navio de guerra.
Para Tamanend, filho mais velho do líder dos Sicones, era algo completamente diferente. Ele observara o poste durante uma semana. Vira o sol do meio-dia aquecê-lo, a chuva molhá-lo. Seus olhos aguçados de águia estudaram a borda do metal resistente onde este saía da madeira.
Ele esperou até que Hosset e seus homens partissem para os campos ao sul, suas enxadas sobre os ombros, para sulcar a terra para uma segunda temporada de fracasso. Quando o forte ficou silencioso, exceto pelos dois guardas no grande portão, Tamanend aproximou-se. Ele não era furtivo; caminhou direito, seu rosto inexpressivo. Seu tomahawk, com uma cabeça de pedra afiada, repousava em sua mão. Ele olhou para a placa, para o poste.
Ele pressionou o tomahawk atrás do metal, contra a madeira. Um puxão forte, um gemido de pregos sendo arrancados, e todo o brasão caiu em seus braços. Era mais pesado do que ele pensava. O frescor, o peso da civilização, ele carregou em seus braços. Então virou-se e caminhou, a placa contra o peito, para longe do poste, para longe do forte, em direção à moita densa onde os olhos de seu povo o esperavam.
Então seu grito rasgou o céu.
Hosset foi chamado de volta, seu rosto uma máscara de incredulidade que se transformou em fúria fervente. Ele ficou diante do poste nu, as mãos soltas.
Na manhã seguinte, houve movimento na borda da floresta. O líder dos Sicones, tio de Tamanend, deu um passo à frente, seu rosto uma paisagem coberta de neve de seriedade. Atrás dele estavam dois guerreiros. E diante deles, no chão frio, colocaram algo.
Não era a placa de metal, mas a cabeça sangrenta de Tamanend. Os olhos meio abertos, a boca silenciada. O corte no pescoço estava limpo. Havia pouco sangue. Era uma oferta. Uma confissão.»